segunda-feira, 18 de junho de 2018

Por Jaque Reis - Blog Maluca dos Livros

Olá amores tudo bem?

Beco da Ilusão foi um livro que me surpreendeu muito, e também foi um livro que eu não larguei nem por um minuto. 

Logo no começo do livro conhecemos Sarah Wainess. Uma senhora de idosa que está assistindo uma peça de balé, e as poucos com esta peça vai relembrando sobre uma época terrível que viveu. Antes de tudo que aconteceu, Sarah se chamava Yidish, mas já teve vários nomes. 

Quando ainda era uma pré adolescente, Yidish morava com sua família em Kornobat na Bulgária, mas após seu pai receber de herança uma gráfica eles se mudam para Berlim, na Alemanha. Mas o que eles não imaginavam era que essa mudança que tanto trouxe esperança de uma vida melhor, na verdade não seria nada boa. 

Ao chegar à cidade Yidish se apaixona pelo balé e passa seus dias sonhando em se tornar uma bailarina. Porém a menina vê seus sonhos desmoronarem após os nazistas invadir sua casa e separa-la dos pais e de seus irmãos. A partir dai Yidish, uma garota judia, que sonhava com a vida de bailarina vê seus sonhos desmoronarem. 

"Confesso que não gostei de Hitler, porque ele não gostava dos judeus. Não sabia a razão de ele ter essa aversão à nossa família, pois nós nem o conhecíamos e não havíamos lhe feito nenhum mal"

Mas por sorte Yidish, de alguma forma não parecia uma garota judia e por isso, conseguiu ter um destino diferente do que muitos judeus tiveram. Mas isso não torna o livro menos intenso e triste. 

O livro é narrado em primeira pessoa, e ao longo da história vamos crescendo e sofrendo junto com Yidish, e vamos sentindo também um sentimento enorme de impotência e o todo tempo fiquei me perguntando como as pessoas daquela época puderam apoiar toda essa barbaridade. Yidish é uma personagem muito bem construída, e a trama me prendeu desde o início. 

Realmente me emocionei do início ao fim. E Beco da ilusão com certeza irá para a listinha de melhores livros que li na vida! 

Beijos!






quinta-feira, 17 de maio de 2018

Por Resenhas.do.Marcos

Yidish é uma judeia linda, livre e feliz, têm sonhos e ideais para sua vida, já têm a pessoa cujo ela quer ao seu lado no futuro. Até a força nazista acabar com tudo que ela têm, lhe proporcionando uma vida miserável e infeliz com muito sofrimento. Será Yidish capaz de sorrir novamente? Em meio a tanto sofrimento e percas, o amor ainda prevalecerá? E sua vida, será que permanecesse até o final do livro?

Yidish vai mostra-lhe todas as respostas, vai senti medo, sobreviver em um beco, o beco da ilusão, encontrará pessoas para a ajudarem a continuar sobrevivendo e sair dele.

O livro é narrado em primeira pessoa, possui uma capa belíssima, um enredo tocante e uma edição fabulosa, não me canso de admirá-la. Ele lhe proporciona novos conhecimentos, faz com que você fique um tanto emotivo por conta dos fatos reais, e lhe conduz a mergulhar de cabeça nesse romance, torcendo e desejando para que tudo fique menos "pior" e acabe bem.

"É POSSÍVEL SE ACOSTUMAR COM TUDO NESTA VIDA, TANTO COM AS COISAS BOAS QUANTO COM AS RUINS. AS BOAS, NÓS TIRAMOS PROVEITO.
 AS RUINS, APRENDEMOS E NOS ADAPTAMOS" 

A autora conseguiu abordar o assunto muito bem, fez um cenário incrível, me fazendo imaginar tudo que acontecia e onde se passava. Com certeza ela teve muito trabalho para juntar todas as informações necessárias para criar uma obra baseada em fatos verídicos, tornando o livro muito interessante e tendo um resultado simplesmente maravilhoso.

O livro emocionou-me bastante, e fiquei ciente de alguns detalhes que eu desconhecia, torci pelo casal até o fim, e espero muito que vocês possam lê-lo um dia. Até mais...





quarta-feira, 2 de maio de 2018

Por Mabel Carneiro - Blog Colecionando Livros

Terminei a leitura de "Beco da ilusão" e sinceramente não sei como descrever e falar com vocês sobre esse livro. A autora nos apresenta um livro cheio de emoção e que em muitas partes fica difícil acreditar que tais barbáries tenham acontecido. Nesse livro iremos acompanhar a vida de uma mulher que ainda criança viu seu sonho ser destruído, viu e presenciou seus pais serem presos pelos nazistas e que mesmo em meio a todas as atrocidades que ocorria nos campos de concentração por onde passou manteve a fé e a esperança que um dia seria livre.

Uma narrativa intensa e perfeita para ser degustada aos poucos, que me emocionou, me fez ficar com raiva e incrédula em muitos momentos, espero que um dia vocês possam ler, pois vale muito a pena.

Sarah Wainness, é hoje uma mulher marcada por um passado sofrido, mesmo depois de todos esses anos as lembranças de tudo que passou continuam intactas em sua memória. Sarah lembra da sua infância feliz, ela vivia com seus pais em Karnobat até que tiveram que mudar para Berlim.

Em Berlim Yidish, foi apresentada a uma nova realidade, logo novos amigos - Herdman e Anton - surgiram e seu primeiro e unico sonho era, torna-se bailarina. A vida dela era boa, mas só até os nazistas entrarem em sua casa e levarem sua família e seu sonho.

Ela foi mandada como muitas pessoas para um dos tantos campos de concentração, foi enfermeira, viu muitas vidas serem ceifadas, teve que mudar de nomes e de campos de concentração muitas vezes. Sentiu medo, fome, desolação, mas ela não estava sozinha.

Dentre tantos dias de tristezas e desesperos ela também teve a chance de viver seu amor com Herdman, mesmo que por um breve momento. Um amor puro que mesmo com todos os empecilhos sobreviveu, um amor que foi além da terra. Ele prometeu que a encontraria e nem por um segunda ela duvidou disso.


sexta-feira, 27 de abril de 2018

Por RENATA CEZIMBRA - Blog Galáxias de Idéias

Yidish era uma menina búlgara de nove anos quando sua família, de origem judia, foi agraciada pela herança de um primo falecido, uma gráfica em Berlim, a efervescente e bela capital alemã. O ano era 1931.

Um número somente. Nada de extraordinário. Se a Alemanha, desde o fim da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), não enfrentasse uma enorme crise econômica e moral e os judeus, desde muito antes, não carregassem consigo o peso de suas origens, alvo de desconfiança e preconceito desde tempos imemoriais, até do próprio Egito.

Dois anos depois, porém, um novo chanceler é eleito na Alemanha. Um austríaco com inúmeros planos de grandeza e um desejo de construir um Terceiro Reich. Ele passou à história como o maior genocida de todos os tempos e nem mesmo o pior dos insultos é capaz de definir a cretinice e a canalhice dessa figura chamada Adolf Hitler. Que nem de humano deve ser chamado.

"- Tudo o que a memória já amou ficou eterno. E entre tudo o que você poderia ser para mim na vida, a vida escolheu torná-lo saudade... - A voz soa trêmula, suspiro ao deslizar os dedos sobre o recorte de jornal contornando o rosto de Erdmann." - Pág. 11

O nazismo subiu ao poder então. No entanto, quem pagou o preço foram todos aqueles que não se encaixavam na pureza ariana com a qual esse monstro sonhava.

Yidish era judia. Outros eram comunistas, homossexuais, ciganos, negros, deficientes e qualquer um que não fosse o desejado pelo padrão estúpido imposto.

A então menina começou a ver cada parte de sua rotina desfazer-se diante de seus olhos. Nem mesmo à escola ela podia ir mais. Judeus não tinham mais direito a nada, nem mesmo a carregar o próprio nome. O pior, porém, ainda estava por vir e a agora jovem Yidish veria de perto todos os horrores dos campos de concentração nazistas e da própria Segunda Guerra Mundial. Viveria situações humilhantes e degradantes que nenhuma pessoa mereceria, menos ainda apenas por ter nascido e ser do modo como é.

Ela foi Dalina, Bertha e por último, Sarah. É a última, que no fundo é ainda aquela menina, Yidish, que sonhava com a liberdade e o balé, agora no ano de 1995, a narrar sua história de sobrevivência, nos fazendo andar pelo Beco da Ilusão.


A primeira coisa sobre esse livro é: ele é baseado em milhares de histórias reais. Nem todas com finais felizes.

A segunda coisa sobre ele é: a Mundo Uno Editora está de parabéns pela linda edição. A capa, belíssima, mostra um cenário belo e ao mesmo tempo desolado. A diagramação está muito bem feita, a fonte é de bom tamanho e excelente para leitura, combinando com páginas amareladas com a intenção de não cansar a vista. Especialmente para quem, como eu desde novembro, usa óculos.

A terceira e isso vai durar o resto do texto: esse não é um livro fácil de ler apesar da escrita muito fluida da autora mineira Mallerey Cálgara. Porque li todo em um período de pelo menos um dia, mas isso não significa que não foi sofrido porque foi.


"A situação começou a ficar pior para os comunistas quando o Reichstag foi incendiado. A acusação recaiu sobre eles com a alegação de que estavam conspirando contra o governo alemão. Após ouvir o noticiário e contar para a mamãe, ela desceu as escadas feito louca. Quase se jogou do andar de cima só para chegar embaixo mais rápido. Saiu gritando histericamente pelo Abner e por papai. Ambos saíram do escritório assustados com a gritaria." - Pag. 55


Sofrido ver que existiu um período da História Mundial em que uma única pessoa (eu ME RECUSO a chamar o Hitler de gente porque ele podia ser qualquer coisa, exceto isso) foi capaz de mover meio mundo a uma guerra só porque queria fazer da Alemanha um império e antes disso, privar toda uma população dos direitos mais básicos só por eles serem quem eram. E não foram só judeus. Quem leu a História mais a fundo sabe que homossexuais, ciganos, negros, deficientes e outras minorias sociais foram condenadas ao extermínio em massa em nome da supremacia ariana, conceito deturpado e preconceituoso no qual muita gente ainda hoje acredita. Nada menos que mais de 66 milhões de mortos. Os prisioneiros dos campos de concentração, os que morreram lutando como soldados, os que foram assassinados em invasões e outras tantas atrocidades cometidas. Não só pelos nazistas, devo dizer, e vou ficar apenas por aqui com esse tópico.

Mais sofrido ainda é saber que isso, por mais que muita gente conteste fortemente, foi feito com conivência do próprio povo alemão, que por décadas sofreu as consequências das suas escolhas erradas. Eu poderia dizer que eles mereceram? Poderia. Mas aí estaria sendo cruel com quem não merece porque votar errado todo mundo vota, até no Brasil. Devo dizer, somos o segundo país NO MUNDO a ter uma noção parca de realidade, segundo as estatísticas. Ainda, não é porque as pessoas do passado erraram que as do presente têm necessariamente que pagar apesar de muita gente, infelizmente, concordar com isso. Portanto, escutem isso: a História serve para que não repitamos os erros do passado, assim, não é justificativa para discriminar os outros usando insultos e agressões.


"Aos poucos minha visão fica turva e a imagem que passo a ter à minha frente é outra. Por um momento achei que poderia ser feliz, esquecer o passado, porém, as lembranças voltam para a apresentaçãodo segundo ato. A felicidade não existe*, é apenas uma ilusão. O que existe são as decisões que tomamos, e elas fazem com que os momentos se tornem preciosos." - Pág. 120

Lendo Beco das Ilusões, é nítida a extensa pesquisa que a autora fez para compor o livro e seus personagens, cujas atitudes e escolhas nos fazem amá-los, odiá-los ou ficar com sentimentos contraditórios com relação a eles. Ainda mais quando, no passar da trama, que se divide entre três fases diferentes, distribuídas em dezoito capítulos, descobrimos que mesmo no exército nazista existiam pessoas capazes de ter compaixão e empatia, inclusive ajudando prisioneiros a fugir, mas, sendo obrigados a cometer atos muito ruins para manter o disfarce e evitar serem descobertos. Ainda por cima, antes de cada capítulo há uma foto daquela época e uma frase do Hitler. Impossível não querer, como o próprio Erdmann narra no capítulo com seu ponto de vista, não querer ele vivo para matá-lo*² todas as vezes porque nunca nessa vida vi criatura mais odiosa do que esse "austríaco louco" (palavras de alemães, não minhas porque as que eu falo são bem mais pesadas).

"O dia passou se arrastando pela janela do carro. A chuva só nos atingiu com maior intensidade quando chegamos à fronteira da Alemanha. Usávamos o carro dos soldados que matamos. Quando vi seus corpos caídos, tive vontade de atirar mais. Queria que se levantassem para que eu pudesse matá-los de novo. Nunca pensei que pudesse sentir tanto ódio. Por um instante, eu os odiei mais do que ao próprio Führer." - Pág. 229

No livro, sendo a figura de Franklin, que tem um motivo muito especial para não apenas ajudar a protagonista, mas também muitos outros prisioneiros. Pensem em como era para ele conviver com todas essas atrocidades e ainda ajudar alguns prisioneiros mesmo sabendo que podia ser rechaçado. Pode ser que tenha sido pouca coisa, mas com certeza foi muito significativo a essas pessoas, que pelo menos puderam ter uma chance de seguir para uma nova vida longe daquele horror ainda que com muita dor no coração por aqueles que ficaram para trás.

Por sua vez, Sarah, a protagonista, vai narrando, com um olhar esperançoso e ao mesmo tempo profundamente abatido, os horrores que presencia e como se sente incapaz por não ser capaz de fazer tudo o que gostaria. Ela tem de se contentar em apenas ouvir as pessoas ou amenizar a dor delas com analgésicos que rouba dos armários. Isso sem contar que precisa se esconder sob outro nome e ocultar todos os sentimentos que afloram dentro dela se quiser sair com vida de mais um dia na insana guerra.

"Fiquei me perguntando o que aquelas pessoas indefesas teriam feito contra o Führer para merecem tal vida. A resposta surgiu num estalo. Nada. Não fizeram nada. Tinham apenas nascido." - Pág. 169 (Sim, eu devo ter visto essa quote umas quantas vezes nas resenhas que li sobre esse livro, mas vamos combinar, é uma pergunta que até hoje o mundo inteiro se faz por mais que a resposta pareça defintiva.)

Pensem agora na quantidade de cicatrizes psicológicas que não ficaram daquela época não só na mente dela, mas na cabeça de outros milhares da vida real que tiveram a sorte de escapar com vida dos campos de concentração. Imaginem essas pessoas tendo que conviver com essa dor, não raramente tendo episódios de depressão, insônia e outros e ainda saber que no mundo moderno existe gente que ainda pensa tão pequeno e baixo. Se isso não é motivo suficiente para se achar a guerra e o preconceito, sem contar as outras mazelas, as coisas mais insanas do mundo, então falhamos como humanidade.

Em Beco da Ilusão, seu título é justificado por uma razão que prefiro deixar para vocês descobrirem quando leiam, mas que é compreensível apesar de no início pensarmos que Sarah ainda vai ter que sofrer mais ainda. Não de modo direto, mas com a incerteza de não saber se vai viver até o dia seguinte, principalmente, porém, não tendo ideia se algum dia vai reencontrar os familiares de quem foi separada de modo tão cruel. O que, devo dizer, torna a leitura mais angustiante ainda, porque torcemos profundamente para que pelo menos uma pessoa ela possa rever e com esse alguém possa buscar uma nova vida em algum lugar longe daquele caos. Sem contar Erdmann, o rapaz por quem se apaixonou e com quem sonha em construir uma família feliz.

"– Ah, Yidish, minha Yidish! Ver você inconsciente foi aterrador. Me senti impotente. Mas segurei sua mão fria e fechei os olhos num desejo silencioso de que todo o seu sofrimento acabasse logo. Infelizmente você estava ali, delirante e febril, tão frágil e abatida, e tudo por minha culpa. Era imperdoável, mas tão real quanto a vontade de acabar com a minha própria existência. Minha amada, vê-la inconsciente sangrou meu coração e a dor foi lancinante. Temi que não se recuperasse e, se isso acontecesse, eu jamais me perdoaria. Não conseguiria passar por todas as atrocidades dessa vida cruel e miserável sem você que é meu porto seguro, minha esperança de dias melhores. Eu não teria forças para abrir os olhos a cada amanhecer e ver o sol brilhar sabendo que causei a sua morte. Ah, meu amor, depois de tanto velar o seu sono agitado, agora posso respirar aliviado. As lágrimas são de felicidade por saber que muito em breve a verei com a mesma alegria contagiante que eu tanto amo. – Detive meus olhos em sua boca perfeita e  fui capaz de ver uma ameaça de sorriso. – Yidish, como tive medo de perdê-la! Eu te amo!" - Pág. 216

Apesar dos personagens secundários serem poucos, eles são muito importantes para manter Sarah a salvo e com a mente no lugar. Eles mostram também que, apesar dos horrores impostos pela guerra, ainda existe lugar para o melhor da humanidade e que mesmo com todas as chances contra, a fé e a esperança ainda são importantes armas na luta contra a tirania e a maldade.

Por fim, se você deseja encontrar um excelente romance histórico que faça Game of Thrones e semelhantes parecerem surreais demais para serem de verdade, Beco da Ilusão é o livro que você procura e que a Lady Trotsky indica.





segunda-feira, 9 de abril de 2018

Por Mari Martelote - Blog Maravilhosas Descobertas

O Holocausto foi o período mais tenebroso da história da humanidade, ouso dizer, e, ler sobre ele, não importando em qual gênero ou circunstancia, traz nas palavras ali escritas um pouco da carga emocional que foi aquela época.


Beco da Ilusão é um livro que fala da época do Holocausto, retratando a vida de uma jovem judia chamadaYidish que, assim como todo ser humano possuía um sonho, e foi esse sonho agregado ao seu amor pelobalé que lhe deu forças para manter-se lúcida em sua peregrinação pelos campos de prisioneiros nazista. Sua casa é invadida, queimada e ela e sua família capturados pelos nazistas na famosa noite dos cristais. Porém, seu destino, ao contrário do de sua família, não foi a morte, devido ao segredo que sua mãe confidencia a um oficial alemão, que passa a protegê-la.


Uma judia em pele de alemã passa pela guerra como uma criminosa - com identidade falsa, é claro - mas a salva das garras de Hitler. Ao passar alguns anos em um campo para prisioneiras, ela é levada para o complexo de Auschwitz para trabalhar em um puteiro - o Beco da Ilusão - e dali a seis meses servindo a oficiais e soldados alemães conseguiria a sua tão sonhada liberdade. Mas, o que ela não imaginava era que além de sua tão sonhada liberdade reencontraria o seu verdadeiro e único amor.



Um romance denso, tenso e envolvente narrado em primeira pessoa faz com que você se sinta na pele da Yidish por toda a leitura. Não sendo uma narrativa fácil de se ler mesmo ela te prendendo fortemente em sua história. Mallerey para escrever uma história fiel a este período precisou estudar com afinco para que o livro não parecesse uma ficção e, sim, uma história real de um sobrevivente do Holocausto, e não só obteve êxito como brincou com as palavras brilhantemente.







sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Por Geeh Maciel - Blog Livros de Elite

Começo essa resenha avisando que “Beco da Ilusão” alterna passado e presente, assim como realidade e ficção. Ao abrir o livro você é apresentado a Sarah Wainness, uma senhora de idade avançada que começa a narrar sua trajetória de vida com outro nome em uma época conturbada do mundo: a Segunda Guerra Mundial.

Yidish era apenas uma criança quando seus pais resolveram mudar-se de Karnobat na Bulgária, para Berlim na Alemanha, para receber uma herança deixada para seu pai por um tio que faleceu.
A Gráfica herdada estava localizada na mesma rua que a opera, o que despertou em Yidish o desejo de se tornar bailarina e brilhar nos palcos como todos os artistas que ela via entrar no glamouroso lugar sempre que acompanhava seu pai ao trabalho.

Para acelerar a adaptação dos filhos, o pai de Yidish contratou professores particulares para longas e intensas horas de estudo. A menina, extremamente inteligente, logo aprendeu o idioma e entrou para a escola, onde passava despercebida, ao contrario dos irmãos, já que era a única da família com cabelos loiros e olhos claros – algo que sempre incomodou Yidish, por sinal – . Ela logo fez amizade com Anton, um garoto alemão de origem, mas criado como Judeu, assim como toda a família da menina. E também com Erdmann, o primo de Anton, com quem estabelece um vinculo ainda mais forte que o de amizade e cumplicidade que tinha com Anton.

A mudança da família estava indo de “vento em popa” , se não fosse o fato de que eram uma família Judia em território Alemão as vésperas do eclosão da Segunda Guerra Mundial , onde Hitler viria a assumir o poder e massacraria qualquer um que não fosse ariano.

“Rodopiava, rodopiava até cair sentada de tonta. Ria de satisfação para o céu que girava diante dos meus olhos. Nesse meu cantinho eu podia tudo, eu era tudo, 
até parar de rodar e voltar para a realidade estagnada. 
Sei que dessa maneira parecia estar construindo 
castelos de areia que seriam desfeitos com o mais leve sopro do vento, 
mas não podia evitar o prazer de criar asas e ser livre para voar.”

Eu amo historia, deixo isso bem claro, era a matéria em que mais tirava notas altas na escola. Então, quando tive a oportunidade de ler essa obra, fiquei bastante intrigada e curiosa, ainda mais pelo livro ser classificado como um romance também. Como alguém pode transformar uma época tão feia do mundo em algo bonito, como um romance. Mallerey Cálgara conseguiu.

“Beco da Ilusão” é um livro que mescla o drama e o horror da guerra com a ingenuidade e a beleza do amor. A autora criou uma trama que trás a tona valores esquecidos por muitos e pouco valorizados por outros, como a força do amor e da amizade, e também o verdadeiro significado de família. E ao mesmo tempo em que nos mostra a necessidade desses sentimentos, ela também nos faz repensar e dar valor para coisas simples do nosso cotidiano, como a comida no nosso prato – um luxo para diversas pessoas, tanto naquela época, quanto agora –.

Yidish é uma criança que se vê tirada do seio da família e jogada no horror que eram os campos de concentração, forçada a trabalhar e vender o próprio corpo para conseguir um prato de comida e o minimo de segurança possível, mas que não perde a esperança em nenhum momento. Podemos dizer que a mensagem impregnada nas paginas deste livro é o amor. O amor despretensioso, indiferente de raça, cor,opção sexual ou religião.

“Beco da Ilusão” é narrado em primeira pessoa, pelo ponto de vista da protagonista. Ele nos trás uma trama coesa e bem construída, com personagens densos e profundos, cada qual com sua bagagem emocional – todas muito bem trabalhada pela autora - .

Como eu já havia mencionado, o livro alterna passado e presente. Iniciamos a leitura conhecendo uma senhora Yidish(agora Sarah Wainness), que apesar dos pesares, sobreviveu a todos os infortúnios da guerra, e aos poucos vamos conhecendo o seu passado pelos olhos da mesma, e retornamos para 1939, quando o caos tomou conta do mundo.

Não, não vá pensando que essa é uma leitura rápida e fluida. Inicialmente o livro é bem descritivo – muito bem ambientado, com riqueza de detalhes - , o que torna leitura um pouco arrastada. Mas é uma parte essencial para entendimento dos acontecimentos. E do meio para o fim o livro se torna bastante pesado, retratando momentos vividos pela personagem, mas que também foram vividos por pessoas reais durante esse período histórico.

Essa é uma trama que mescla ficção com realidade. A historia foi embasada na realidade, o que nos faz refletir sobre a crueldade do ser humano. Eu me envolvi com a trama. Como vocês podem perceber, ela mexeu com os meus sentimento. Chorei e sorri com Yidish (mais chorei, tá?).

Outro ponto que me agradou bastante na leitura é o desfecho. A autora criou algo bastante inusitado, mas extremamente realista – como tudo na obra-.

Enfim, eu realmente indico a leitura, mas para pessoas que estejam procurando um livro mais denso e reflexivo e que goste de historia. Não é um livro para se devorar em algumas horas, apesar das poucas paginas. Cada capitulo precisa ser digerido antes de seguir para o próximo, pois te dá uma outra perspectiva de vida.

Também não posso deixar de comentar sobre a edição fisica. O trabalho da editora Mundo Uno está um primor. O livro possui uma diagramação bastante elaborada com algumas paginas pretas e fotos reais da guerra iniciando todos os capítulos.

Ou seja, esse é um livro completo que vale a pena ter na estante, com certeza.

“Era como se vivêssemos em um mundo paralelo, em uma realidade alternativa, 
onde a vida humana valia menos do que um objeto qualquer."






terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Por Nordeci - Blog Cá Entre Nós

Em um espetáculo de balé, da neta Edwirges, a Yidish (Sarah Wainness) - protagonista da história - revive as memórias de sua vida; lembra-se da época em que morava com seus pais na Bulgária e do sofrimento que vivera antes de ir para Nova York. 

Quando ainda era uma criança, Yidish, que pertencia a uma família de judeus, mudou-se para Berlim porque seus pais receberam uma herança. Ela não mudou só de cidade, pois a sua vida transformou -se de uma forma que ela não poderia prever. Com Hitler no poder iniciou-se o Holocausto Judeu. Nazistas invadiram sua casa, afastando-a de sua família, dos amigos e de seu grande sonho que era tornar-se uma bailarina. Yidish perdera até mesmo a identidade para salvar a própria pele. Foi Nuria, Bertha, Dalina, Sarah...



Na esperança de reencontrar a família viveu os piores dias de sua vida no Beco da Ilusão, lugar onde as mulheres eram levadas para se prostituírem, com a promessa de liberdade. Passou por situações constrangedoras, foi maltratada e humilhada, mas nunca perdeu a esperança e nem desistiu de lutar para reencontrar a família, os amigos e seu amor.



Em meio a tanto sofrimento, Yidish recebeu ajuda, sem saber que estava sendo protegida por seus amigos de infância. Quando finalmente conseguiu sair do Beco da Ilusão, com o desejo de uma nova vida em Nova York, enfrentou situações difíceis, mas se sentia mais forte, pois estava junto de seus amigos: Anton, Donovam e Erdmann – seu grande amor. 

Cálgara conta a história com riqueza de detalhes do holocausto com um misto de ficção e realidade. A forma como escreve nos proporciona imaginar o sofrimento, a angústia e a dor da personagem. Descreve de forma ímpar a tortura e o sofrimento de pessoas tratadas como animais por um governo autoritário e preconceituoso.



Enquanto eu lia, passava um filme em minha mente. O Beco da Ilusão é um desses livros que a gente não consegue parar de ler, mas também não quer que termine. Recomendo para quem gosta de leituras emocionantes.

Quotes

"Tudo o que a memória amou já ficou eterno. E entre tudo que você poderia ser para mim na vida, a vida escolheu torná -lo saudade..."

"Com o sangue petrificado pelo terror, descerrei as pálpebras e me deparei com a pele dos meus braços banhada de sangue. " Não sinto dor. não sinto nada. Será que morri? Que alívio...! pensei."

"Chocada, desviei o olhar e o fixei no chão por um instante, procurando mentalmente convencer minha alma a não mais habitar aquele corpo, a abandonar todas as tralhas para trás e fugir depressa com a água que escorria pelo ralo, indo o mais longe possível"

"Sentimentos não são eternos e o tempo é malicioso, não espera por ninguém"

"Casa. Essa palavra soava tão vaga, tão distante, que pareceu naquele momento não ter nenhum significado. Invadiram o meu lar, minha vida e agora... O meu corpo? O que mais eles poderiam querer de mim?"