segunda-feira, 9 de abril de 2018

Por Mari Martelote - Blog Maravilhosas Descobertas

O Holocausto foi o período mais tenebroso da história da humanidade, ouso dizer, e, ler sobre ele, não importando em qual gênero ou circunstancia, traz nas palavras ali escritas um pouco da carga emocional que foi aquela época.


Beco da Ilusão é um livro que fala da época do Holocausto, retratando a vida de uma jovem judia chamadaYidish que, assim como todo ser humano possuía um sonho, e foi esse sonho agregado ao seu amor pelobalé que lhe deu forças para manter-se lúcida em sua peregrinação pelos campos de prisioneiros nazista. Sua casa é invadida, queimada e ela e sua família capturados pelos nazistas na famosa noite dos cristais. Porém, seu destino, ao contrário do de sua família, não foi a morte, devido ao segredo que sua mãe confidencia a um oficial alemão, que passa a protegê-la.


Uma judia em pele de alemã passa pela guerra como uma criminosa - com identidade falsa, é claro - mas a salva das garras de Hitler. Ao passar alguns anos em um campo para prisioneiras, ela é levada para o complexo de Auschwitz para trabalhar em um puteiro - o Beco da Ilusão - e dali a seis meses servindo a oficiais e soldados alemães conseguiria a sua tão sonhada liberdade. Mas, o que ela não imaginava era que além de sua tão sonhada liberdade reencontraria o seu verdadeiro e único amor.



Um romance denso, tenso e envolvente narrado em primeira pessoa faz com que você se sinta na pele da Yidish por toda a leitura. Não sendo uma narrativa fácil de se ler mesmo ela te prendendo fortemente em sua história. Mallerey para escrever uma história fiel a este período precisou estudar com afinco para que o livro não parecesse uma ficção e, sim, uma história real de um sobrevivente do Holocausto, e não só obteve êxito como brincou com as palavras brilhantemente.







sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Por Geeh Maciel - Blog Livros de Elite

Começo essa resenha avisando que “Beco da Ilusão” alterna passado e presente, assim como realidade e ficção. Ao abrir o livro você é apresentado a Sarah Wainness, uma senhora de idade avançada que começa a narrar sua trajetória de vida com outro nome em uma época conturbada do mundo: a Segunda Guerra Mundial.

Yidish era apenas uma criança quando seus pais resolveram mudar-se de Karnobat na Bulgária, para Berlim na Alemanha, para receber uma herança deixada para seu pai por um tio que faleceu.
A Gráfica herdada estava localizada na mesma rua que a opera, o que despertou em Yidish o desejo de se tornar bailarina e brilhar nos palcos como todos os artistas que ela via entrar no glamouroso lugar sempre que acompanhava seu pai ao trabalho.

Para acelerar a adaptação dos filhos, o pai de Yidish contratou professores particulares para longas e intensas horas de estudo. A menina, extremamente inteligente, logo aprendeu o idioma e entrou para a escola, onde passava despercebida, ao contrario dos irmãos, já que era a única da família com cabelos loiros e olhos claros – algo que sempre incomodou Yidish, por sinal – . Ela logo fez amizade com Anton, um garoto alemão de origem, mas criado como Judeu, assim como toda a família da menina. E também com Erdmann, o primo de Anton, com quem estabelece um vinculo ainda mais forte que o de amizade e cumplicidade que tinha com Anton.

A mudança da família estava indo de “vento em popa” , se não fosse o fato de que eram uma família Judia em território Alemão as vésperas do eclosão da Segunda Guerra Mundial , onde Hitler viria a assumir o poder e massacraria qualquer um que não fosse ariano.

“Rodopiava, rodopiava até cair sentada de tonta. Ria de satisfação para o céu que girava diante dos meus olhos. Nesse meu cantinho eu podia tudo, eu era tudo, 
até parar de rodar e voltar para a realidade estagnada. 
Sei que dessa maneira parecia estar construindo 
castelos de areia que seriam desfeitos com o mais leve sopro do vento, 
mas não podia evitar o prazer de criar asas e ser livre para voar.”

Eu amo historia, deixo isso bem claro, era a matéria em que mais tirava notas altas na escola. Então, quando tive a oportunidade de ler essa obra, fiquei bastante intrigada e curiosa, ainda mais pelo livro ser classificado como um romance também. Como alguém pode transformar uma época tão feia do mundo em algo bonito, como um romance. Mallerey Cálgara conseguiu.

“Beco da Ilusão” é um livro que mescla o drama e o horror da guerra com a ingenuidade e a beleza do amor. A autora criou uma trama que trás a tona valores esquecidos por muitos e pouco valorizados por outros, como a força do amor e da amizade, e também o verdadeiro significado de família. E ao mesmo tempo em que nos mostra a necessidade desses sentimentos, ela também nos faz repensar e dar valor para coisas simples do nosso cotidiano, como a comida no nosso prato – um luxo para diversas pessoas, tanto naquela época, quanto agora –.

Yidish é uma criança que se vê tirada do seio da família e jogada no horror que eram os campos de concentração, forçada a trabalhar e vender o próprio corpo para conseguir um prato de comida e o minimo de segurança possível, mas que não perde a esperança em nenhum momento. Podemos dizer que a mensagem impregnada nas paginas deste livro é o amor. O amor despretensioso, indiferente de raça, cor,opção sexual ou religião.

“Beco da Ilusão” é narrado em primeira pessoa, pelo ponto de vista da protagonista. Ele nos trás uma trama coesa e bem construída, com personagens densos e profundos, cada qual com sua bagagem emocional – todas muito bem trabalhada pela autora - .

Como eu já havia mencionado, o livro alterna passado e presente. Iniciamos a leitura conhecendo uma senhora Yidish(agora Sarah Wainness), que apesar dos pesares, sobreviveu a todos os infortúnios da guerra, e aos poucos vamos conhecendo o seu passado pelos olhos da mesma, e retornamos para 1939, quando o caos tomou conta do mundo.

Não, não vá pensando que essa é uma leitura rápida e fluida. Inicialmente o livro é bem descritivo – muito bem ambientado, com riqueza de detalhes - , o que torna leitura um pouco arrastada. Mas é uma parte essencial para entendimento dos acontecimentos. E do meio para o fim o livro se torna bastante pesado, retratando momentos vividos pela personagem, mas que também foram vividos por pessoas reais durante esse período histórico.

Essa é uma trama que mescla ficção com realidade. A historia foi embasada na realidade, o que nos faz refletir sobre a crueldade do ser humano. Eu me envolvi com a trama. Como vocês podem perceber, ela mexeu com os meus sentimento. Chorei e sorri com Yidish (mais chorei, tá?).

Outro ponto que me agradou bastante na leitura é o desfecho. A autora criou algo bastante inusitado, mas extremamente realista – como tudo na obra-.

Enfim, eu realmente indico a leitura, mas para pessoas que estejam procurando um livro mais denso e reflexivo e que goste de historia. Não é um livro para se devorar em algumas horas, apesar das poucas paginas. Cada capitulo precisa ser digerido antes de seguir para o próximo, pois te dá uma outra perspectiva de vida.

Também não posso deixar de comentar sobre a edição fisica. O trabalho da editora Mundo Uno está um primor. O livro possui uma diagramação bastante elaborada com algumas paginas pretas e fotos reais da guerra iniciando todos os capítulos.

Ou seja, esse é um livro completo que vale a pena ter na estante, com certeza.

“Era como se vivêssemos em um mundo paralelo, em uma realidade alternativa, 
onde a vida humana valia menos do que um objeto qualquer."






terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Por Nordeci - Blog Cá Entre Nós

Em um espetáculo de balé, da neta Edwirges, a Yidish (Sarah Wainness) - protagonista da história - revive as memórias de sua vida; lembra-se da época em que morava com seus pais na Bulgária e do sofrimento que vivera antes de ir para Nova York. 

Quando ainda era uma criança, Yidish, que pertencia a uma família de judeus, mudou-se para Berlim porque seus pais receberam uma herança. Ela não mudou só de cidade, pois a sua vida transformou -se de uma forma que ela não poderia prever. Com Hitler no poder iniciou-se o Holocausto Judeu. Nazistas invadiram sua casa, afastando-a de sua família, dos amigos e de seu grande sonho que era tornar-se uma bailarina. Yidish perdera até mesmo a identidade para salvar a própria pele. Foi Nuria, Bertha, Dalina, Sarah...



Na esperança de reencontrar a família viveu os piores dias de sua vida no Beco da Ilusão, lugar onde as mulheres eram levadas para se prostituírem, com a promessa de liberdade. Passou por situações constrangedoras, foi maltratada e humilhada, mas nunca perdeu a esperança e nem desistiu de lutar para reencontrar a família, os amigos e seu amor.



Em meio a tanto sofrimento, Yidish recebeu ajuda, sem saber que estava sendo protegida por seus amigos de infância. Quando finalmente conseguiu sair do Beco da Ilusão, com o desejo de uma nova vida em Nova York, enfrentou situações difíceis, mas se sentia mais forte, pois estava junto de seus amigos: Anton, Donovam e Erdmann – seu grande amor. 

Cálgara conta a história com riqueza de detalhes do holocausto com um misto de ficção e realidade. A forma como escreve nos proporciona imaginar o sofrimento, a angústia e a dor da personagem. Descreve de forma ímpar a tortura e o sofrimento de pessoas tratadas como animais por um governo autoritário e preconceituoso.



Enquanto eu lia, passava um filme em minha mente. O Beco da Ilusão é um desses livros que a gente não consegue parar de ler, mas também não quer que termine. Recomendo para quem gosta de leituras emocionantes.

Quotes

"Tudo o que a memória amou já ficou eterno. E entre tudo que você poderia ser para mim na vida, a vida escolheu torná -lo saudade..."

"Com o sangue petrificado pelo terror, descerrei as pálpebras e me deparei com a pele dos meus braços banhada de sangue. " Não sinto dor. não sinto nada. Será que morri? Que alívio...! pensei."

"Chocada, desviei o olhar e o fixei no chão por um instante, procurando mentalmente convencer minha alma a não mais habitar aquele corpo, a abandonar todas as tralhas para trás e fugir depressa com a água que escorria pelo ralo, indo o mais longe possível"

"Sentimentos não são eternos e o tempo é malicioso, não espera por ninguém"

"Casa. Essa palavra soava tão vaga, tão distante, que pareceu naquele momento não ter nenhum significado. Invadiram o meu lar, minha vida e agora... O meu corpo? O que mais eles poderiam querer de mim?"






segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Por Suelen Fernandes - Blog estante da Suh

Yiidish é uma menina de nove anos que está se mudando com a família para Belim, seu pai recebeu uma gráfica como herança de seu irmão e viu nessa ida para Berlim uma oportunidade de crescer e dar uma via boa para os filhos e a esposa. Yiidish estava animada e bem curiosa para conhecer outras pessoas e outro país.

Assim que chegou a Berlim Yiidish viu um teatro com vários cartazes que mostravam apresentações de Balé, a partir daí um amor nasceu entre ela e essa dança. Yiidish queria um dia poder dançar como todas aquelas bailarinas que ela via de forma escondida. Por causa desse amor ela conhece Anton que é filho do porteiro do teatro, a amizade entre os dois acontece de forma instantânea. Através de Anton, Yiidish conhece o primo dele chamado Erdmann, uma paixonite nasce entre eles mais não há tempo para que o amor amadureça, pois, coisas muito ruins vieram na vida dessa linda menina.

— Tudo o que a memória amou, já ficou eterno. E entre tudo o que você poderia ser para mim na vida, a vida escolheu torna-lo saudade... – A voz soa trêmula, suspiro ao deslizar os dedos sobre o recorte de jornal contornando o rosto de Erdmann.

Uma guerra estava se formando na Alemanha e os Judeus se viram encurralados e ameaçados, Yiidish não podia mais ir ao teatro, não podia nem sair na rua e isso se passou anos até que em uma noite os soldados Nazista invadem a sua casa e todos são levados para os campos de concentração, a partir daí tudo de ruim aconteceu na vida dessa menina, mas ela ainda teve ajuda de anjos para tentar salva-la dessa vida cruel e de uma eminente morte.

Rodopiava, rodopiava até cair sentada de tonta. Ria de satisfação para o céu que girava diante dos meus olhos. Nesse meu cantinho eu podia tudo, eu era tudo, até parar de rodar e voltar para a realidade estagnada. Sei que dessa maneira parecia estar construindo castelos de areia que seriam desfeitos com o mais leve sopro do vento, mas não podia evitar o prazer de criar asas e ser livre para voar.

A menina se viu amadurecer rápido e teve que renegar a suas origens para poder sobreviver, agora ela era uma alemã que cometeu um crime e que estava pagando por eles, seu nome foi mudado várias vezes e suas esperanças iam diminuindo conforme os anos iam passando. Mas Anton e Erdmann nunca a abandonaram e mostraram que cumpririam a sua promessa de protege-la até o final de suas vidas.

Gente eu não sabia nem como escrever essa resenha, me vejo em lágrimas escrevendo sobre essa história que me marcou muito. Ler esse livro e saber que muitas pessoas sofreram as mesmas atrocidades relatadas nessas páginas foi um choque e me fez chorar de tristeza, fiquei me perguntando como o ser humano pode ser ruim a tal ponto de tratar o seu próximo com frieza e sem um pingo de sentimentos.

Essa menina me mostrou como a vida pode ser ruim e como podemos dar a volta por cima de tudo que já sofremos, mas sem esquecer aqueles que deixamos para trás. Yiidish foi forte e determinada e nunca esqueceu sua família e seu grande amor, ela conseguiu vencer, mas para isso teve que passar por grandes traumas.


A escritora soube retratar uma época que o mundo quer esquecer, mas que nunca vamos conseguir. Uma história recheada de drama, amor, companheirismo, tristeza e realidade apesar de ser uma ficção.

Falando sobre o livro a capa é linda e retrata bem o enredo do livro. A diagramação é bem elaborada e os capítulos sempre começam com alguma citação de Adolf Hitler (o homem que eu passei a odiar com todas as minhas forças). As folhas são amareladas. A fonte do tamanho ótimo para leitura. A história é narrada na visão de Yiidish e um capítulo pela visão de Erdmann. A edição está linda e é de ótima qualidade.

Sei que essa resenha não vai fazer jus ao que esse livro representa na vida de um leitor, estou fechando o ano com uma das melhores leituras que já fiz na vida e que vai me marcar para sempre. Por isso convido ou até suplico a vocês que deem uma chance a essa história que vai te emocionar do começo ao fim.



terça-feira, 20 de junho de 2017

Blog Entre Livros e Prosa



O meu encontro com esse livro aconteceu da forma mais linda possível, foi em uma fila na bienal do livro de 2016 em são Paulo.

Conheci a escritora Malerey, uma pessoa cativante, de voz suave e penetrante. Ela nos apresentou seus livros e quando colocou em minhas mãos O Beco da Ilusão não quis mais soltar, sabia que algo me aguardava.

Demorei um pouco para ler, pois já havia outros na lista de leitura então... chegou a vez dele.

Um livro rico em detalhes e informações surpreendentes...

A história começa em 1931. Narrada pela querida Yidish, uma menina judia de família humilde e bem conservadora.

As características de Yidich se destacava dos demais irmãos ela não sabia o motivo, mas também não tinha coragem de perguntar para seus pais. Ela recebia o amor como os outros irmãos e esse era motivo suficiente para que nada pudesse colocar em seu coração qualquer dúvida.

Yidish, é esperta e não precisava de muito para entender as coisas que a rodeava.

Ela é uma menina com grandes sonhos...

Seu pai recebe uma herança de um tio que morava na Alemanha, e por esse motivo eles tiveram que se mudar para lá.

Logo quando chegaram ao seu destino final, na Alemanha, ela se encanta com uma cena que despertou o desejo de um grande sonho. Era o desejo mais oculto em seu coração. Ela não sabia se poderia um dia realizar tamanho desejo, mas isso ficaria guardado e quando fosse o momento ela realizaria.

Sua adaptação foi mais fácil do que ela tinha imaginado, logo conheceu os seus eternos amigos Erdmann e Aton, os amigos que o destino lhes apresentava para que um dia ela pudesse ter certeza que seria para toda a vida.

O tempo passou e veio a guerra... Momento esse de muita dor para Yidish... Tempos difíceis ela teria pela frente... Ela precisaria de muita força... Viveria percalços e lamentos... A morte passaria em seus olhos...

Ela passara tempos de muita angustia, porem o tempo e nem as dificuldades lhes tiraram o amor de seu coração. Ela jamais saberia se viveria para concretizar esse amor.

Foi preciso, somente um reencontro para que ela tivesse a certeza que o amor seria para toda a vida. Que nem mesmo a guerra foi capaz de apagar a chama em seu coração. Podemos dizer que foi esse amor que a salvou em momentos mais difíceis, podemos dizer que foi esse amor que a levou para os braços de seu amado.

Esse é aquele livro maravilhoso de um final surpreendente.

Obrigada, Mallerey.

Indico a todos o livro O BECO DA ILUSÃO.



sexta-feira, 26 de maio de 2017

Por Aline Silva - Blog Livros do Coração

Antes de iniciar a resenha, deixarei esse trechinho do livro para reflexão:

“A saudade enlouquece, embriaga, é um quebra-cabeça com peças faltantes e sua cura só é possível estando ao lado de quem a causa”. 

A princípio, esse trecho pode não parecer fazer sentido mas, até o final do livro te garanto que fará.

Em BECO DE ILUSÃO, conhecemos a história de Yidish, uma menina inteligente de 9 anos e super interessada em saber o que acontecia ao seu redor. Ela e sua família moram em Karnobat, localizada na Bulgária.

Um dia seus pais recebem a noticia que haviam recebido uma herança de um irmão que a tempos não viam. Esse patrimônio é uma gráfica, em Berlim. Essa mudança acaba por se tornar uma injeção de animo para família, menos para sua mãe, que estava infeliz em ter que voltar para Berlim. O que será houve para que ela não quisesse voltar?

“(…) – Sonhos e paixões quase me arruinaram. Pelo resto da minha vida, carregarei a vergonha do meu passado…-Então ela jogou água fria na nossa curiosidade. – Bem, isso não vem ao caso, estamos falando sobre você. Não diga uma palavra ao seu pai sobre o que conversamos aqui. Entendeu?(…)” 

Berlim emanava a energia de uma nova vida. A chegada de Yidish foi marcada pela imponência do Opernplatz, um palco de vários espetáculos, e um deles, o Ballet, encantou Yidish.

“(…) Berlim agora não era pra mim só uma cidade encantadora, mas havia se tornado a melhor cidade do mundo. Ela havia me apresentado o balé. (…)”

O retorno a Berlim foi impressionante. As pessoas se sentiam livres. Tudo entrando nos trilhos. Escola nova. Negócio novo para a família. Para Yidish o máximo era ir ao Opernplatz ver os ensaios do ballet. Com suas idas frequentes, ela acabou conhecendo Anton, que se tornou seu melhor amigo e sempre fazia companhia para ela enquanto andava pelo prédio.

Ela não se contentou a ver somente o ensaios. Ela queria ver uma apresentação diante do público pois sentia magia do lugar.

No aniversário de Anton, ela conhece Erdmann, primo e o melhor amigo de Anton, fazendo despertar nela um sentimento estranho que não sabia identificar. Então passaram a ser amigos também, mesmo se estranhando de vez em quando.

Yidish queria ver uma apresentação de qualquer forma e para tanto, os três começaram a planejar um meio para isso acontecer. Os espetáculos aconteciam a noite e crianças não podiam sair a noite sem estarem acompanhadas. Assim, eles teriam que planejar tudo muito bem para que não fosse pegos pelos pais ou por algum adulto.

“(…) Saímos sem ninguém notar e, quando já estávamos na rua, Erdmann pegou a bicicleta e corremos feitos loucos em direção à Opernplatz para assistirmos à apresentação de balé. (…)”

Será que o plano deu certo? Será que a mágica das bailarinas é realmente gigante no palco?

Torci muito que desse certo… Com o passar dos dias os amigos não se viram, pois o país estava entrando em colapso. Por quê?

Então voltamos há 80 anos atrás. A Alemanha encontrava-se em desespero pois a econômica estava turbulenta com a perda da Primeira Guerra Mundial para França. O povo, insatisfeito com a atuação do governo, acaba nomeando Hitler como Chanceler (Chefe de Estado). Em seguida, uma sucessão de golpes, atos ilegais e assassinatos instalou uma ditadura. O presidente morreu e Hitler assumiu o controle total. Os seus alvo era judeus, americanos, negros, homossexuais, pessoas com doenças físicas, com Síndrome de Down, e ainda, aqueles do partido comunista e a resistência jovem.

Nesse período Yidish não ía mais à escola. Ela e seus familiares ficavam em casa escutando as noticias através de um rádio. Todos estavam preocupados com o rumo que as coisas estavam tomando. Os pais de Yidish tiveram todas as economias consumidas pelo altos impostos e a gráfica havia sido vendida por um preço inferior, deixando a família sem recursos nenhum.

“(…) Roubaram-nos a liberdade de expressão, tornando-nos fantoches na mão do Estado. Não podíamos falar nem escrever aquilo que pensávamos. Não podíamos ter uma opinião, ou, pelo menos, ela não poderia se tornar pública, existindo apenas na nossa mente. (…)”

Então a Noite dos Cristais acontece e Yidish é brutalmente arrancada do seu mundinho. A partir daí sua única companhia eram as incertezas de um futuro. Sua vida muda, dando a ela a experiência mais horrenda que poderia imaginar. Sua casa é invadida por soldados nazistas e ela é levada para um ônibus onde não cabia mais ninguém, mas os soldados nem se importavam.

“(…) Olhava desesperada para todos os lados, procurando um rosto conhecido no meio da multidão de sombras assustadas que se confundiam. Minhas expectativas de encontrar minha família foram frustradas mais uma vez. (…) “

Seu pesadelo começou quando ela se viu em um campo de concentração. Seus sonhos sendo massacrados um a um por tanta hostilidades impostas pelos soldados, principalmente por Hitler. Yidish convivia diariamente com o medo, incertezas, e acabou fazendo que esses sentimentos se tornassem aliados para continuar seguindo em frente, sobrevivendo, um dia após o outro.

A todo tempo eu me perguntava: Será que ela conseguirá ter seu sonho realizado? Yidish não é mais Yidish. Essa nova realidade a transformou por ver que não iria se salvar diante de tantos sofrimentos, mortes das suas “colegas” de cela, frieza nos olhos dos soldados.

Contudo, ela decide que quer viver! Que não vai morrer! Um campo de concentração não é suficiente. Ela passa por mais dois. Ainda sim, essa suas transferências eram sempre facilitadas por um “anjo da guarda”, que a estava ajudando, sem ela saber.



“(…) À medida que os meses se transformaram em anos, a centelha da esperança que o meu salvador viria me resgatar foi diminuindo. Esperei pelo soldado que Hinish disse que me procuraria e torci para que ele fosse tão real quanto o castelo, e me levasse para bem longe. Isso não aconteceu. A centelha perdeu o brilho e deixou de existir. (…)”

A vida de Yidish, que já havia dado um giro de 360°, novamente passa por uma revolução. Ao chegar ao campo de Ravensbruck, é enviada para uma casa de prostituição comandada pela Sra. Butterfly. As mulheres que iam para lá eram selecionadas para satisfazer os soldados, tanto daquele campo, quanto dos outros próximos. Essas mulheres já não tinham esperanças ou familiares. A única coisa que restava àquelas mulheres era o que comer e um lugar para descansar seus corpos maltratados por soldados. Yidish, desesperada, vendo que não tinha mais jeito, pediu até que morresse pra não ter que passar por aquilo. O que seus pais pensariam dela?!

Yidish, nessa altura, já havia dito vários nomes. Chegou a se perder por assumir tantas identidades diferentes. O último nome que ela recebeu foi Sarah Wainness, que a fez renascer das cinzas e ter suas esperanças de dias melhores cada dia mais concretas.


Será que o “Anjo da Guarda” se apresentou à ela? O que será que aconteceu com a casa de prostituição? Ela teve a oportunidade de reencontrar seus familiares?

Narrado em primeira pessoa, BECO DA ILUSÃO é um drama histórico que se passa na Segunda Guerra Mundial. Os detalhes são ricos e o leitor consegue facilmente se ambientar nos momentos que Yidish, Dalina, Bertha, Nuria e Sarah, passaram.

A forma como autora conseguiu cativar, mesmo sendo um período nefasto e cruel, foi surpreendente. Sempre tivemos a impressão de Hitler ser exaltado por soldados, mas em Beco de Ilusão conseguimos ver que esses mesmos soldados eram contra algumas atitudes desse nazista, mas não podiam lutar contra.

Foi meu primeiro contato com a escrita da autora, apesar de já conhecê-la pessoalmente. Depois de ter lido esse livro, me pergunto: “Porque demorei tanto tempo pra ler?!”. Confesso que a capa sempre me causou estranheza, por não saber o que significava. Sim! julguei o livro pela capa e me arrependo. A capa faz todo o sentido agora!

Recomendo muito essa leitura! Eu sofri com Yidish. Eu chorei, sorri e depois me emocionei muito mais com o FINAL. Que final foi aquele? O livro é muito intenso e abala nossas estruturas.

A mensagem que esse livro passa é de não menosprezar o nosso próximo, achando que é descartável e não merecedor da vida. Não podemos julgar pela cor, raça, religião, opção sexual, e sermos condizentes com o preconceito e agressões. Somos todos iguais. TODOS temos direito de sermos felizes.

Eu li em versão impressa, mas possui em E-book também, na Amazon. A edição impressa é impecável, possui detalhes, desenhos, imagens da época e citações do Führer. No decorrer da história existem marcações de períodos. Ao final foi incluído no apêndice uma espécie de glossário explicando esses momentos. A diagramação está perfeita, a fonte está em tamanho confortável e a obra ainda tem as folhas amareladas. #Amei

BECO DA ILUSÃO foi o melhor livro que li nesse ano até o momento! E.M.O.C.I.O.N.A.N.T.E ♥♥♥♥♥






terça-feira, 9 de maio de 2017

Blog Virando a Página - Por Mary Reis


Gente, não estou sabendo nem começar a resenha deste livro. Não, não é porque ele é ruim, é porque ele é MUITO BOM. A História de Yidish é intensa e incrivelmente emocionante. É uma leitura simplesmente estupenda! Bem, a sinopse já faz um resumo bem completo do livro e qualquer informação a mais que eu colocar aqui será um spoiler (rsrs), mas vou tentar contar um pouquinho da história para vocês.

O livro começa com Sarah Wainness indo para uma apresentação de balé, e mal sabia ela que a apresentação seria sobre a sua vida. Com o início do ato as lembranças de sua infância e de todo o sofrimento vem à tona. Logo nos primeiros capítulos, a gente já começa a se encantar e se envolver completamente com a história.

Yidish vivia com sua família em Karnobat, na Bulgária, porém seu pai recebeu uma herança de um falecido tio, e para que pudesse dar continuidade aos negócios que herdou, toda a família teve que se mudar para Berlim. O que ninguém esperava era o quanto essa mudança afetaria a vida deles, o tamanho do sofrimento que traria para todos.

Em Berlim, Yidish já estava ficando encantada pela cidade e começou a gostar mais ainda depois de descobrir que perto da gráfica de seu pai tinha um teatro e sempre tinha apresentações de balé, de imediato ela se apaixonou pela dança e criou o sonho de ser bailarina, mas nem tudo acontece da forma que esperamos, não é?

Os sonhos dessa garotinha foram esmagados quando os nazistas invadiram sua casa e a separou de sua família. Por sorte, e sem saber, Yidish parecia alemã e graças, ou não, a um segredo revelado, ela pôde sobreviver em meio à guerra. E então, começamos a conhecer a luta diária dela e passamos a sentir todas as suas angustias, tristezas e sofrimento.

A maioria das histórias que li e que envolve a segunda guerra mundial era a visão do lado oposto de Hitler, soldados e cidades que lutavam contra o nazismo e neste livro temos o contrário, soldados que lutam a favor do Fürher, mesmo sem concordar com suas ideias, e eu acho que isso que me deixou mais impressionada com a trama. Ler sobre o quão esse cara era cruel, foi demais para mim, eu só conseguia pensar em como uma pessoa pode ser tão egoísta e tão mesquinha. Não consigo imaginar uma pessoa que seja ardilosa dessa forma.

Enfim, no início de capítulo a autora cita uma frase de Hitler e uma foto da tragédia que foi a guerra, e isso deixou o enredo mais real e eu acabei me apegando e criando uma empatia com a personagem e no fim, não foi uma simples leitura, vivi e sofri com Yidish, Dalina, Bertha, Nuria e Sarah! E o final... que final! Eu tinha a esperança de fosse mais feliz, mas foi o fim necessário. Contudo, digo para vocês que a primeira coisa que me chamou atenção foi a capa. Sim, fiquei intrigada com a capa e logo depois com o título, bateu aquela curiosidade e eu só queria saber que beco era esse e o que tinha acontecido.

Bom, já falei demais desse livro né, vou deixar vocês com a vontade gigante de ler e descobrir a história de Sarah. Eu super indico essa leitura sensacional, que me deixou vidrada a cada virada de página, e espero que vocês gostem tanto quanto eu gostei.